À superfície do amor
Quando toco o teu corpo
Há sempre o teu corpo
No fim do meu olhar
Quando falo de amor
Há sempre amor
No fundo do meu corpo
Quando olho para ti.
Dizes palavras
Durante muito tempo recebi, na minha caixa de correio electrónico, aqueles simpáticos anúncios que me propunham de mil maneiras: “enlarge your penis!”. Ultimamente deixei de receber. Sinto uma certa tristeza. E não consigo perceber a razão para ter sido retirado da lista: o meu pénis continua do mesmo tamanho…
O difícil de escrever é começar. Diante de uma página Word em branco, o cérebro tem tendência a fazer uma de duas coisas: ou paralisar ou enlear-se. O meu, geralmente, enleia-se. Por onde começo, como articulo os argumentos, como sistematizo, como lhe dou ritmo, vida, movimento… E enleio-me.
Estou aqui sentado há duas horas. Diante de mim está uma mesa despida, com uma folha amarrotada abandonada sobre um canto. E ao fundo, a parede de tons claros. Não estou apenas a olhar para a folha. Nem para a parede. Isso seria coisa de tolos ou deprimidos. O cérebro entrou numa deriva anestesiada, pairando, como pairam os pássaros sobre as montanhas que nos cortam o horizonte.
Às vezes, os bons filmes são como os espiões: vêm do frio para nos surpreenderem. Patrik 1,5 (2008) é uma dessas boas surpresas, neste caso acabadinho de chegar da Suécia.
Nathan é um jovem tímido e reservado. Vítima de abuso por parte do pai, vive entre o medo e o silêncio. Na pequena cidade rural, do sul religioso e preconceituoso dos EUA, para onde acaba de mudar-se, apaixona-se por Roy, o vizinho da quinta ao lado. Pouco a pouco, a relação entre os dois torna-se a única ligação de Nathan à esperança de felicidade.Outra razão para, apesar de tudo, ver o filme, é a banda sonora, com os originais a cargo de Richard Buckner. Fica uma amostra...

O vídeo já tem um tempinho. Mas vale a pena vê-lo. Obama faz um discurso memorável. Diz o óbvio. Mas, nos tempos que correm, estas evidências precisam ser ditas. E é muito bom que o actual Presidente dos EUA as tenha dito com esta claridade.
O discurso foi feito em Junho de 2006. E pode ser visto, na íntegra, aqui.

Não deixes que o conhecimento te faça cínico, nem que as certezas te impeçam a surpresa. Não permitas que os hábitos te ceguem ao sempre novo, nem te deixes cair no desencanto agastado de quem já nada espera.
-Mas por que perdes tempo com esses sonhos e devaneios?